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17/01/2026 às 09:02, Atualizado em 17/01/2026 às 09:31

Quando o Tempo Aprendeu a Esperar

Por Adriana Paioli

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Divulgação

Ela não correu atrás do que passava depressa.

Aprendeu, com o tempo, que nem tudo que chega merece permanência e que algumas portas se abrem apenas para ensinar a sair.

Houve dias em que o coração quis pressa, quis colo imediato, quis resposta rápida para vazios antigos. Mas a alma, já amadurecida pela vida, sussurrou baixinho: espera. E ela aprendeu a esperar — não por medo, mas por respeito a si mesma.

Deus não constrói histórias no improviso.

Enquanto ela cuidava das próprias feridas, Ele cuidava do futuro. Enquanto ela aprendia a ficar inteira sozinha, Ele alinhava encontros que não precisariam de esforço para existir.

Ela entendeu que aceitar qualquer coisa não é amor — é abandono.

E que toda escolha apressada cobra um preço alto: a paz.

O que vem para somar não confunde, não diminui, não machuca. Chega com serenidade, com verdade, com propósito.

Esperar deixou de ser ausência e passou a ser preparo.

Preparo para não se perder.

Preparo para não se oferecer.

Preparo para não segurar o que não foi feito para ficar.

O tempo ensinou que o que é de Deus não exige pressa, não pede negociação e não chega causando dúvidas. Vem no momento exato em que o coração já sabe amar sem medo e a alma já sabe receber sem desconfiança.

Ela não procurou.

Não implorou.

Não aceitou o que apareceu apenas para não ficar só.

Ela viveu.

E enquanto vivia, Deus fazia.

E quando o que era verdadeiro chegou, não houve barulho, nem alarde. Houve calma. Houve certeza. Houve paz. Porque aquilo que é preparado no céu encontra a gente quando já não precisamos provar nada para ninguém — nem para nós mesmos.

Esperar, afinal, não foi perda de tempo.

Foi um ato de fé.

Foi um gesto de amor-próprio.

Foi confiança no Deus que escreve histórias inteiras, não remendos.

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