Ela não correu atrás do que passava depressa.
Aprendeu, com o tempo, que nem tudo que chega merece permanência e que algumas portas se abrem apenas para ensinar a sair.
Houve dias em que o coração quis pressa, quis colo imediato, quis resposta rápida para vazios antigos. Mas a alma, já amadurecida pela vida, sussurrou baixinho: espera. E ela aprendeu a esperar — não por medo, mas por respeito a si mesma.
Deus não constrói histórias no improviso.
Enquanto ela cuidava das próprias feridas, Ele cuidava do futuro. Enquanto ela aprendia a ficar inteira sozinha, Ele alinhava encontros que não precisariam de esforço para existir.
Ela entendeu que aceitar qualquer coisa não é amor — é abandono.
E que toda escolha apressada cobra um preço alto: a paz.
O que vem para somar não confunde, não diminui, não machuca. Chega com serenidade, com verdade, com propósito.
Esperar deixou de ser ausência e passou a ser preparo.
Preparo para não se perder.
Preparo para não se oferecer.
Preparo para não segurar o que não foi feito para ficar.
O tempo ensinou que o que é de Deus não exige pressa, não pede negociação e não chega causando dúvidas. Vem no momento exato em que o coração já sabe amar sem medo e a alma já sabe receber sem desconfiança.
Ela não procurou.
Não implorou.
Não aceitou o que apareceu apenas para não ficar só.
Ela viveu.
E enquanto vivia, Deus fazia.
E quando o que era verdadeiro chegou, não houve barulho, nem alarde. Houve calma. Houve certeza. Houve paz. Porque aquilo que é preparado no céu encontra a gente quando já não precisamos provar nada para ninguém — nem para nós mesmos.
Esperar, afinal, não foi perda de tempo.
Foi um ato de fé.
Foi um gesto de amor-próprio.
Foi confiança no Deus que escreve histórias inteiras, não remendos.







Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.