Com um salto de oito para quase 3 mil testes realizados por mês, a oferta gratuita do Teste do Pezinho Ampliado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) democratizou o acesso ao exame que, agora, pode detectar 40 doenças e não apenas sete, como anteriormente.
De acordo com o coordenadora técnica do Iped/APAE (Instituto de Pesquisas, Ensino e Diagnóstico da APAE) de Campo Grande, Josaine Palmieri, esse avanço também representa a melhora na prevenção de doenças que podem ser detectadas ainda nos primeiros dias de vida do bebê, elevando a qualidade de vida.
O Teste do Pezinho Ampliado começou a ser ofertado pelo SUS no começo de janeiro a partir do primeiro dia útil do ano e, até o momento, estão sendo realizados mais de 100 testes por dia no Iped, que prevê um volume de 3 mil exames por mês. Mato Grosso do Sul é o terceiro Estado do país a oferecer a expansão, que deve chegar a todas as localidades brasileiras a partir de 2030.
A coordenadora explica que, além de expandir o acesso e as possibilidades de diagnósticos, a disponibilização do exame pelo SUS fez com que o custo de cada exame despencasse para R$ 180,00, valor custeado por meio de um convênio firmado com a SES (Secretária de Estado de Saúde) no valor de R$ 531 mil.
“Agora vamos ter um volume de 3 mil testes em média, então, conseguimos fazer em um valor muito bom, já que conseguimos firmar parcerias com fornecedores para baratear os custos. Os valores vêm da SES e atende todo o Estado”, detalhou.
Entre as doenças que podem ser diagnosticadas estão imunodeficiências, atrofia muscular espinhal, galactosemias e outras disfunções metabólicas, totalizando 40 patologias, garantindo que o tratamento possa ser iniciado o quanto antes, aumentando as chances de proporcionar qualidade de vida para o bebê durante toda a vida.
O teste deve ser feito entre o terceiro e quinto dia de vida da criança, sendo que a coleta de sangue pode ser realizada na própria maternidade, caso o recém-nascido fique mais de 48h no hospital, ou em qualquer unidade de saúde, bem como na sede do Iped/APAE. Todos os exames são processados nos laboratórios da instituição, sendo que os resultados ficam disponíveis nas unidades de saúde, inclusive no interior do Estado para onde são enviados.
Mãe de primeira viagem, Gabrielle Santana, de 23 anos, levou o pequeno Theo, de apenas 4 dias de vida, para realizar a coleta e garantir que o filho cresça e se desenvolva de forma saudável.
“Acho essa ampliação bem importante e, por mais que pareça assustador para o bebê, porque ele vai chorar, é importante que os pais não deixem de vir fazer o teste”, disse.
O resultado pode demorar até 10 dias úteis para ficar pronto e, nos casos em que são detectadas doenças, a equipe de saúde faz um busca ativa para que a criança seja encaminhada para consulta com especialistas a fim de dar início aos tratamentos necessários.
“É importante que os pais não percam o prazo para fazer, que é entre o terceiro e quinto dia de vida do bebê, porque tem doenças que podem deixar a criança sem falar, sem andar ou pode levar, inclusive à morte. Então, é importante fazer o quanto antes”, reforça.
Em Mato Grosso do Sul, o IPED/APAE de Campo Grande é referência na realização do exame. Além da coleta, a instituição garante acompanhamento especializado nos casos em que os resultados indicam alterações.
Por Ana Clara Julião







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