Mato Grosso do Sul registra, em média, 120 novos casos de câncer infantojuvenil anualmente, conforme aponta o Panorama de Oncologia Pediátrica, iniciativa do Instituto Desiderata. Apesar dos avanços na medicina, a taxa de mortalidade no estado ainda é alarmante, chegando a 42,9 óbitos a cada um milhão de crianças e adolescentes.
O levantamento reúne informações do Registro Hospitalar de Câncer, Registro de Câncer de Base Populacional e Sistema de Mortalidade do Datasus, servindo como base para a formulação de políticas públicas voltadas ao diagnóstico precoce e tratamento da doença.
Entre 2016 e 2022, Mato Grosso do Sul contabilizou 253 mortes de crianças e adolescentes com câncer. As principais causas de mortalidade nessa faixa etária foram doenças do aparelho respiratório (247 óbitos), enfermidades do sistema nervoso (241) e tumores (239).
A análise das taxas de mortalidade ao longo dos anos permite identificar tendências e avaliar o impacto de políticas públicas e avanços médicos na luta contra o câncer infantojuvenil.
Falta de estrutura dificulta o tratamento
Atualmente, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), em Campo Grande, é o único habilitado para atender crianças e adolescentes com câncer no estado, representando apenas 1,3% dos serviços disponíveis no Brasil. Além disso, há apenas cinco médicos oncologistas pediátricos para cada um milhão de crianças e adolescentes, número que, apesar de estar dentro da média nacional, ainda é insuficiente para suprir a demanda.
O estudo também aponta que 5,6% dos pacientes diagnosticados entre 2017 e 2021 não iniciaram o tratamento. Desses, 71,4% não possuem informações sobre o motivo da interrupção, enquanto 14,3% recusaram a terapia oncológica.
A falta de infraestrutura e a carência de profissionais especializados evidenciam a necessidade de investimentos na área, garantindo não apenas o diagnóstico precoce, mas também o acesso a um tratamento adequado para crianças e adolescentes com câncer em Mato Grosso do Sul.
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