Buscar

11/02/2026 às 08:00, Atualizado em 10/02/2026 às 21:00

STJ decide, por unanimidade, afastar ministro acusado de assédio sexual

Antes da decisão, Buzzi havia entregado à corte um atestado médico psiquiátrico

Cb image default
Foto - Divulgação CNJ - Via Estadão

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu hoje, por unanimidade, pelo afastamento cautelar do ministro Marco Buzzi, 68, acusado de assédio sexual. Mais cedo, ele havia apresentado um pedido de licença médica por 90 dias.

Ao todo, 27 ministros foram favoráveis ao afastamento cautelar. Cinco membros da corte justificaram ausência no plenário hoje: João Otávio de Noronha, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Isabel Gallotti e Regina Helena. Os ministros marcaram para 10 de março a sessão para concluir a apuração do caso.

Segundo o STJ, afastamento é "temporário e excepcional". Com a decisão, o ministro fica impedido de usar "seu local de trabalho, veículo oficial e demais prerrogativas inerentes ao exercício da função". A avaliação interna é a de que o STJ "precisa parar de sangrar e agir com autonomia e independência", segundo a colunista do UOL Daniela Lima.

Antes da decisão, Buzzi havia entregado à corte um atestado médico psiquiátrico. Segundo o documento, ele necessita ficar afastado de suas atividades gerais, "inicialmente por 90 dias", para "tratamento médico psiquiátrico com ajuste medicamentoso". A médica afirma ainda que o paciente é "portador de patologias cardiológicas comórbidas".

Pedido do ministro ocorre após o recebimento de nova queixa contra ele por importunação sexual. A Corregedoria Nacional de Justiça ouviu ontem o depoimento da suposta nova vítima de assédio. O órgão abriu uma nova reclamação para apurar a conduta do magistrado. O ministro já é alvo de uma representação feita por uma jovem de 18 anos pelo mesmo motivo.

Em nota, a defesa do ministro classificou como desnecessário o seu afastamento do STJ. "Sustenta-se a desnecessidade da medida, sobretudo diante da inexistência de risco concreto à higidez procedimental da investigação e também porque o ministro já se encontra afastado para tratamento médico", diz o texto assinado pelos advogados Maria Fernanda Saad Ávila e Paulo Emílio Catta Preta. "Forma-se um arriscado precedente de afastamento de magistrado antes do crivo do pleno contraditório."

O que diz a defesa de Buzzi

O vazamento antecipado de informações não checadas, alheias aos canais institucionais e antes mesmo do acesso da defesa aos autos, revela um esforço deliberado de constranger o devido processo legal e influenciar indevidamente futuras decisões judiciais.

Até o presente momento, a defesa não teve acesso aos autos, muito embora já tenha apresentado pedido de habilitação desde a semana passada. Não há, portanto, qualquer base jurídica ou factual que permita manifestações responsáveis sobre fatos ainda indefinidos — muito menos julgamentos públicos antecipados.

É preciso lembrar que a oitiva realizada sem a presença da parte reclamada fere frontalmente o artigo 62 do Estatuto Interno do Conselho Nacional de Justiça, o que compromete a própria regularidade do procedimento.

O ministro Marco Buzzi não cometeu qualquer ato impróprio, como será possível demonstrar oportunamente no âmbitos dos procedimentos já instaurados.

Maria Fernanda Ávila

Paulo Emílio Catta Pretta

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.