O ex-governador Reinaldo Azambuja afirmou que, diante da resistência dentro do PL após 30 anos de PSDB em Mato Grosso do Sul, o eleitor bolsonarista ‘raiz’ “não pode ser burro”. Para o pré-candidato ao Senado, a direita só vai atingir seus objetivos se aceitar quem acredita nos ideais de centro em sua base.
“[O eleitor] Ele acha que, por ser raiz, sozinho ele vence a esquerda? Ele precisa agregar o eleitor do centro que ainda não está decidido ainda. Esse eleitor não pode ser burro, né? Pra ganhar a eleição, precisa somar forças. Se não somar força, pode perder de novo”, defendeu em entrevista ao Jornal Midiamax.
No início de fevereiro, o presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, veio a Campo Grande para procedimento estético e aproveitou para se reunir com Azambuja, numa tentativa de “salvar” a candidatura do ex-tucano.
Presidente do PL-MS, Azambuja ainda comentou o racha interno envolvendo políticos mais alinhados à “direita raiz”. Nomes como o de Gianni Nogueira (vice-prefeita de Dourados), João Henrique Catan (deputado estadual) e Marcos Pollon (deputado federal) demonstram divergência e distanciamento das intenções da cúpula do partido em MS.
“Infelizmente, tem cabeças no próprio partido que não pensam assim, acham que sozinhos ganham as eleições. Em vez de juntar os parceiros, espantam os companheiros. Mas isso faz parte de uma política de pensamento individualista”, disse o ex-governador, ao pontuar a missão de garantir palanque a Flávio Bolsonaro em Mato Grosso do Sul.
“Política não se faz sozinho. Política se faz em grupo. Eu acho que mesmo contra esse pessoal mais radical nas eleições passadas, nós ganhamos eleições, porque tinha um grupo. Porque tinha um grupo que pensava como a gente pensava”, disse, em referência à eleição de 2022, quando o PSDB enfrentou Capitão Contar — ligado à ala mais à direita do PL —, à época no PRTB e hoje no PL. Na ocasião, o governador Eduardo Riedel, hoje filiado ao PP, venceu.
Reinaldo diz que o “inimigo comum” do partido é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a esquerda. Ex-PSDB, o dirigente reafirmou que as candidaturas ao Senado, principal tema divergente no partido, devem ser definidas a partir de abril, quando a legenda pretende aplicar pesquisas junto ao eleitorado local.
A reportagem apurou que fontes dentro do partido afirmam que pesquisas podem indicar outro nome da direita para a vaga ao Senado e que o nome de Reinaldo não é consenso.
No entanto, o ex-governador afirmou que a decisão — de quem será candidato pelo PL ao Senado — será fruto dos dados colhidos de forma quantitativa e qualitativa. Porém, questionado se recuará, em caso de baixo desempenho nos levantamentos, disse que vai cumprir as “regras do jogo”. Por fim, desconversou e disse que já ganhou eleições quando se apresentava em baixa nos levantamentos quantitativos.
“Não dá pra impor vontade. Se você tem um combinado que nós vamos tentar ver quem são os nomes que têm melhores condições, não que a pesquisa quantitativa é decisiva. Eu já comecei três eleições em situações desfavoráveis e ganhei as eleições”, disse.







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