Os contratos milionários da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de MS) devem ser investigados em CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul). É o que sugere Fábio Trad (PT) após o colega de partido, vereador Landmark, sugerir que a Federação “abra a caixa preta”.
“A instauração de uma CPI é plenamente justificável, porque estamos diante de um fato determinado, concreto e relevante, envolvendo mais de R$ 1,5 milhão em contratos firmados por entidade que integra o Sistema S”, disse.
O pré-candidato ao governo do Estado do PT lembrou que o sistema é financiado por contribuições compulsórias. “Isso, por si só, atrai interesse público e controle institucional”, pontuou.
Além disso, destacou que esclarecimentos precisam ser prestados. Entre as questões levantadas, apontou: “Empresas com os mesmos sócios celebrando contratos distintos, objetos semelhantes, aditivo contratual significativo e inconsistências cadastrais quanto à sede formal. Soma-se a isso a existência de inquérito instaurado pelo Ministério Público”, disse Trad.
Fiscalização
Para o ex-deputado federal, CPI não pode ser vista como prejulgamento. “É instrumento constitucional de fiscalização, voltado à transparência, à moralidade e à proteção dos recursos que, embora administrados por entidade privada, têm origem parafiscal”, defendeu.
Então, disse que “se tudo estiver regular, a CPI fortalecerá a credibilidade da instituição”. Contudo, “se houver irregularidades, a sociedade precisa saber”. Por fim, o deputado questionou se o instrumento de investigação será instaurado em MS. “Haverá vontade política dos deputados estaduais para tanto?”, finalizou.
Os contratos somam R$ 1.502.944,07. Tanto a Multifer como a Inovaseg têm os mesmos donos.
Conforme informações oficiais da transparência do sistema Fiems, a entidade dos industriários firmou três contratos entre julho de 2022 e outubro de 2023 com duas empresas de Campo Grande.
Detentora de dois contratos, a Souza Alves & Cia Ltda. – EPP (CNPJ 07.918.676/0002-99) — com nome comercial de Multifer — firmou o primeiro contrato em julho de 2022, no valor de R$ 641.978,17, para fornecer materiais elétricos. O valor final já considera um aditivo de R$ 127.178,17 autorizado pela Fiems durante a vigência do contrato.
Em dezembro do mesmo ano, a empresa com capital social de R$ 300 mil conquistou novo contrato, dessa vez no valor de R$ 455.965,90, para fornecer EPIs (equipamentos de proteção individual).
Menos de um ano depois, em outubro de 2023, a Inovaseg Comercial de Equipamentos e Serviços Ltda. (CNPJ 37.207.553/0001-20) firmou contrato de R$ 405 mil para fornecer mais materiais elétricos para o Senai — serviço de aprendizagem que pertence à Fiems.
Detalhe é que, além de as duas empresas terem como principal atividade o comércio de ferragens e ferramentas, também possuem os mesmos sócios: Diego de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa. As informações são públicas, conforme consulta no site oficial da Receita Federal.
O inquérito foi instaurado no dia 9 de fevereiro, pelo promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri. Os detalhes do processo estão em sigilo.
Por - Dândara Genelhú







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