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21/01/2026 às 10:33, Atualizado em 21/01/2026 às 14:35

Pix ganha reforço contra golpes com novo mecanismo de devolução a partir de fevereiro

Banco Central amplia rastreamento do dinheiro e permite bloqueio em várias contas envolvidas em fraudes

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Divulgação

A partir de 2 de fevereiro, entram em vigor mudanças importantes no Pix que prometem reforçar o combate a golpes e fraudes. Todas as instituições financeiras que oferecem o sistema de pagamento instantâneo passarão a ser obrigadas a disponibilizar uma nova funcionalidade no Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central do Brasil.

O MED é utilizado para tentar devolver valores a vítimas de fraudes, golpes ou situações de coerção. Até agora, o sistema só conseguia atuar sobre a conta que recebeu inicialmente o dinheiro. Caso o golpista transferisse os valores rapidamente para outras contas — prática comum nesse tipo de crime —, a recuperação ficava praticamente inviável.

Segundo o doutor em Computação e professor do Universidade Presbiteriana Mackenzie, Cleórbete Santos, a nova versão representa um avanço significativo. “Antes, a devolução só alcançava a primeira conta. Se o dinheiro fosse repassado para uma segunda ou terceira, o mecanismo não conseguia mais agir”, explica.

Com a atualização, o MED passa a identificar possíveis contas para as quais o dinheiro foi enviado, compartilhar essas informações entre todas as instituições financeiras envolvidas e permitir a devolução em até 11 dias após a contestação. O sistema agora consegue seguir o rastro do dinheiro por várias etapas.

“O rastreamento ficou mais sofisticado. Se um golpista envia R$ 1 mil para a conta A e essa conta transfere R$ 500 para a conta B, o sistema consegue bloquear valores nas duas contas”, detalha o professor.

Essa ampliação é possível graças ao uso de um grafo de rastreamento, tecnologia que mapeia automaticamente o caminho do dinheiro. A ferramenta conecta a conta de origem a todas as contas que receberam recursos posteriormente, com profundidade de até cinco camadas, ou seja, até cinco contas bancárias envolvidas na cadeia da fraude. Antes, esse trabalho era manual e se limitava à primeira conta.

Embora a funcionalidade esteja disponível de forma facultativa desde 23 de novembro de 2025, a adoção se torna obrigatória a partir de fevereiro. Desde outubro do ano passado, os participantes do Pix já são obrigados a oferecer, em seus aplicativos, a opção de contestação de transações sem necessidade de atendimento humano.

Apesar do avanço, Cleórbete Santos alerta que acionar o MED não garante automaticamente a devolução do dinheiro. “É preciso que ainda exista saldo disponível nas contas por onde o valor passou. Por isso, registrar a denúncia o mais rápido possível continua sendo fundamental”, afirma.

Como se proteger de golpes no Pix

O professor destaca que criminosos costumam usar urgência e apelo emocional para convencer as vítimas. Diante disso, algumas medidas podem reduzir riscos:

Confirmar pedidos de transferência urgente com ligação ou chamada de vídeo;

Desconfiar de contatos que solicitam dados pessoais, códigos ou transferências “teste”;

Ajustar limites de transferências diurnas e noturnas nos aplicativos bancários;

Ativar autenticação em dois ou mais fatores em aplicativos bancários e de mensagens;

Cadastrar chaves Pix (CPF ou celular) em uma instituição de confiança, mesmo que não sejam usadas;

Fazer dupla checagem do valor e do destinatário antes de concluir a transferência;

Manter-se informado sobre golpes recentes e compartilhar alertas com familiares e amigos.

As mudanças no Pix ampliam a segurança do sistema, mas o Banco Central reforça que a atenção do usuário continua sendo uma das principais defesas contra fraudes.

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