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30/11/2025 às 11:30, Atualizado em 30/11/2025 às 11:51

Empreiteiras paralisam obra da Rota Bioceânica e exigem reajuste

Consórcio liderado pela Caiapó interrompeu os trabalhos de terraplanagem nos 13 quilômetros da alça de acesso à ponte sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho

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Foto - Reprodução Correio do Estado/Toninho Cruz

Bancada com recursos da Itaipu Binacional, faz quase três anos que está concluída a ponte em Foz do Iguaçu ligando o Brasil ao Paraguai. Até agora, porém, nenhum veículo fez a travessia. A previsão é de que isso ocorra agora em dezembro.

E, assim como lá, na ponte que a Itaipu está bancando em Porto Murtinho tende a ocorrer algo parecido. Indicativo disso é que faltam apenas 166 metros para concluir a parte estrutural da obra, mas os trabalhos de construção da alça de acesso estão longe de acabar e agora estão parcialmente parados.

O custo inicial dos 13 quilômetros interligando a BR-267 à cabeceira da ponte doi definido R$ 472,4 milhões. A obra está sendo tocada pelo consórcio PDC Fronteira, formado pelas empreiteiras Caiapó, Paulitec e DP Barros, empresas de Goiás e São Paulo.

Inicialmente, elas haviam exigido de R$ 665 milhões para executar a obras, mas acabaram aceitando valor próximo ao máximo estipulado pelo DNIT.

Dos R$ 472,4 milhões, somente a terraplanagem ao longo dos 13 quilômetros foi orçada em impressionantes R$ 145,9 milhões. É que milhares de toneladas de terra e cascalho estão sendo utilizadas para erguer uma espécie de barragem para evitar que em períodos de grandes cheias a estrada fique submersa, já que a obra está sendo feita em área pantaneira.

E é exatamente este valor da terraplanagem que as empreiteiras estão contestando agora. Elas alegam que o valor é insuficiente e por conta disso suspenderam os trabalhos desta parte, segundo o jornalista Toninho Ruiz, que acompanha o andamento dos trabalhos e que na última quinta-feira constatou que faltam somente 166 metros para interligar os lados brasileiro e paraguaio da ponte.

Além do aterro para receber a pista de rolamento, o contrato prevê que toda a aduana seja construída sobre um gigantesco aterro, que terá em torno de 11 metros de altura.

A construção desta estrutura aduaneira foi orçada em R$ 126,6 milhões, mas está longe de começar e não tem previsão para isso, já que os trabalhos de terraplanagem estão suspensos à espera de um acordo de reequilíbrio financeiro do contrato.

Por enquanto, estão em andamento somente os trabalhos das chamadas obras de arte especiais, que é a construção de pontes menores e instalação de estacas de concreto nos locais mais baixos, por onde será escoada a água em períodos de enchente.

Esta parte do contrato foi orçada em R$ 101,5 milhões e os trabalhos devem se estender normalmente até 19 de dezembro, quando as empreiteiras devem entrar em recesso de fim de ano

Os trabalhos para construção do acesso à ponte começaram em setembro de 2024 e o contrato estipulava prazo de 26 meses. Se este cronograma fosse cumprido, a rodovia e a aduana estariam prontos no final de 2026, alguns meses após a conclusão da ponte.

Agora, porém, os empreiteiros já admitem que este acesso do lado brasileiro somente ficará pronto em 2028. Isso, porém, se o Governo Federal concordar em elevar o valor do item terraplanagem, que já era o mais caro do contrato (R$ 145,9 milhões).

Além disso, ainda falta a construção de um acesso de cerca de cinco quilômetros do lado do Paraguai, que nem mesmo foi iniciada.

ROTA BIOCEÂNICA

Tanto a ponte, orçada em cerca de R$ 500 milhões, quando as alças de acesso, fazem parte das obras da chamada Rota Bioceânica, um corredor rodoviário com 2,4 mil quilômetros ligando os oceanos Atlântico ao Pacífico, passando pelo Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

A ponte terá 1,3 quilômetro de extensão e 21 metros de largura. Ela está sendo instalada a 35 metros acima da calha do Rio Paraguai, contando com um trecho estaiado de 632 metros, sustentado por torres de 130 metros de altura. Para concluir esta parte faltam apenas 166 metros.

A expectativa é que a junção das duas frentes de obra ocorra no fim de abril de 2026. A obra começou em janeiro de 2022 e integra um projeto que soma US$ 1,1 bilhão de investimentos do governo paraguaio, no trecho total de 580 km, entre Carmelo Peralta e Pozo Hondo.

Com informações do Correio do Estado

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