Publicado em 23/02/2026 às 12:30, Atualizado em 23/02/2026 às 09:25

ELA TAMBÉM PODE

Não é sobre força extraordinária. É sobre competência. E sobre uma sociedade que ainda se surpreende quando uma mulher ocupa o lugar que sempre foi dela.

Redação,
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Divulgação

Por Adriana Paioli

Há frases que não parecem agressivas — mas diminuem.

“Será que ela dá conta?”

“Isso não é muito para você?”

“Tem certeza que consegue?”

Elas vêm em tom de dúvida, mas carregam desconfiança.

Vêm como opinião, mas escondem preconceito.

Vêm como conselho, mas tentam limitar.

Ela já ouviu essas frases em diferentes fases da vida.

Quando escolheu uma profissão considerada “difícil”.

Quando assumiu uma responsabilidade maior.

Quando falou com firmeza.

Quando decidiu não se encolher.

Se demonstra segurança, é chamada de autoritária.

Se é cuidadosa, é vista como frágil.

Se lidera, dizem que é exceção.

Se falha, transformam em regra.

A régua nunca é justa.

Não é sobre preparo.

Não é sobre capacidade.

É sobre uma cultura que ainda se espanta quando uma mulher ocupa espaços que por muito tempo lhe foram negados.

Mas ninguém vê o que antecede a conquista.

As horas de estudo.

A disciplina silenciosa.

O esforço dobrado para provar metade.

As noites em que ela mesma duvidou — e, ainda assim, continuou.

Ela continuou.

Não porque precisava provar algo.

Mas porque entendeu que seu lugar não depende da aprovação alheia.

Ela pode liderar.

Pode decidir.

Pode comandar.

Pode errar e acertar — como qualquer ser humano.

Ela também pode.

E quando permanece onde disseram que não deveria estar, não está apenas realizando um sonho pessoal.

Está desmontando uma ideia antiga.

Está quebrando um padrão.

Está alargando caminhos para que outras não precisem pedir licença.

O preconceito ainda existe.

Mas já não é maior que a coragem.

E cada vez que uma mulher ocupa o espaço que tentaram negar, algo muda.

Muda a conversa.

Muda a referência.

Muda a próxima geração.

Porque quando uma mulher decide permanecer de pé onde tentaram diminuí-la,

não é apenas uma vitória individual.

É um aviso silencioso.

Competência não tem gênero.

Coragem não tem gênero.

Capacidade não tem gênero.

E lugar de mulher —

é onde ela quiser estar.