Althéa sorria.
Não porque a vida fosse fácil, mas porque aprendeu que o sorriso também pode ser resistência.
Quem a via passar imaginava leveza. Poucos conheciam o peso que ela carregava nos dias em que acordar exigia coragem. Havia manhãs em que o corpo doía, a alma silenciava e o coração precisava respirar mais devagar para não se desfazer em lágrimas. Ainda assim, Althéa permanecia.
A vida nunca lhe prometeu caminhos retos. Vieram as doenças, as perdas, os silêncios prolongados e as ausências sentadas à mesa. Vieram dias em que tudo parecia escuro demais. Mas, mesmo assim, a vida insistiu — e Althéa decidiu insistir junto.
Ela aprendeu que nem tudo acontece no nosso tempo. Que algumas respostas demoram. Que certas curas são lentas. Que há dores que não passam, mas nos transformam. Foi nesse chão rachado que sua fé criou raízes profundas.
Não era uma fé barulhenta. Era uma fé que sustentava. Que segurava a mão de Deus mesmo sem entender o caminho, confiando quando o medo sussurrava mais alto que a esperança.
Althéa descobriu que viver é aceitar a fragilidade sem perder a dignidade. É chorar quando preciso, mas não abandonar a fé. É seguir mesmo cansada, mesmo ferida, mesmo sem garantias. Aprendeu que permanecer também é uma forma de coragem.
Ela celebrava a vida nos detalhes: no café quente, no abraço possível, na palavra gentil, no silêncio respeitado. Sabia que quem permanece cresce. Quem permanece amadurece. Quem permanece aprende a agradecer pelo simples.
Nada em sua história foi em vão. Nenhuma lágrima foi desperdiçada. Nenhuma espera foi inútil. Tudo aconteceu no tempo certo — no tempo de Deus, que não falha, não se atrasa e não abandona. Há um tempo determinado para todas as coisas debaixo do céu.
Althéa compreendeu que viver não é apenas existir, mas permanecer na fé. É confiar quando os olhos não veem saída. É escolher ficar quando o coração quer desistir. É lembrar, nos dias mais difíceis, que o Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado.
Enquanto houver vida, há propósito.
Enquanto houver fé, há caminho.
E enquanto houver Deus, há esperança, mesmo no vale.
A vida nunca pediu perfeição a Althéa.
Pediu entrega.
E ela entregou seus dias, suas dores e seus recomeços nas mãos de Deus.
Porque viver, mesmo ferida, é testemunho.
E permanecer, mesmo cansada, é fé viva.
Althéa é um nome de origem grega que significa cura, restauração e aquele que sara. Um nome que carrega a promessa de que, mesmo após a dor, a vida continua restaurando histórias.







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