Publicado em 26/04/2024 às 14:00, Atualizado em 26/04/2024 às 12:51

AMPLAVISÃO: Engenharia política mira o 2º turno na capital

Por - Manoel Afonso

Manoel Afonso,
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Divulgação

NADA MUDA: Na última coluna falamos da falta de perspectivas de melhora do nível das Câmaras Municipais. Corroborando a previsão, o Campo Grande News denunciou os gastos das diárias de vereadores de Água Clara em Brasília. Uma esbórnia! Aliás, é enorme a frequência de vereadores interioranos também na Assembleia Legislativa.

NO INTERIOR: Nas câmaras, pela a situação econômica da cidade, a estrutura afronta pelas instalações, gastos e funcionários. É rara a câmara sem veículo de uso exclusivo dos vereadores. Nos dias de sessões da Assembleia Legislativa vemos esses veículos no estacionamento. A desculpa é uma só: ‘ estão cuidando dos interesses do município’.

2º TURNO: Nas cidades de apenas 1 turno, as eleições se resolvem facilmente. O mais votado leva e ponto final. Mas na capital é que ‘são elas’. O desafio maior é não fechar as portas na campanha do 1º turno - de olho em alianças no 2º turno. Dos 2 finalistas vencerá quem conseguir agregar melhor apoio de candidatos derrotados no 1º turno.

NA CAPITAL: Com base nas pesquisas que rolam por aí, as lideranças dos partidos envolvidos já se dedicam a engenharia eleitoral para o 2º turno. São várias as hipóteses, mas as amarrações finais vão ficar dependentes de alguns fatores envolvendo cargos e até compromissos para as eleições de 2026. Cada qual defendendo seu peixe.

DUELO: Nas cidades menores o embate eleitoral é basicamente constituído de 2 grupos antagônicos: o time político que está no poder e o grupo da chamada oposição (pessoal do contra). Na maioria destas cidades não há espaço para o surgimento da chamada terceira via ou proposta da renovação radical. Faltam eleitores.

FACEBOOK: Os pré-candidatos aproveitam para aparecer nas redes sociais. Beto Pereira (PSDB) e Rose Modesto (União Brasil) são – até aqui – os mais presentes no facebook. Eles se limitam a discorrer sobre suas biografias na vida pública e falam dos desafios da capital. Aliás, as redes sociais são importantes e merecem investimentos dos partidos e candidatos.

VALTER PEREIRA: Nosso operante ex-senador saiu da clausura; foi visto em evento ligado a pré- candidatura do filho Beto Pereira. Por essas voltas que a vida dá, ele pode ir a desforra contra o ex-governador Puccinelli (MDB) por tirar-lhe em 2010, (em favor de Moka), a chance de se reeleger senador. Das duas vagas, a outra ficou com Delcídio do Amaral.

TRAIÇÕES: Também na política elas costumam ser imperdoáveis. Plutarco dizia que “o grande Cesar amava as traições, mas odiava os traidores. ” Outro adágio lembra: “a política ama a traição, mas abomina o traidor’. Outra frase muito em voga entre nós: “Na política, a traição é uma virtude, até sinônimo de esperteza ou competência. ”

FRANCAMENTE: Pareceu crianças levando pito do pai. Soou mal a bronca do presidente Lula no ministro Fernando Haddad e no vice-presidente Alckmin. O recado de que ‘Haddad deve largar os livros e conversar mais com os congressistas’ para ajudar na aprovação de projetos - foi um recado curto e grosso. Um puxão de orelha.

HADDAD: Mostra que os tecnocratas não tem aptidão para a política e gestão. Eles se perdem nas teorias e números. Prova disso é que ele, conseguiu perder a disputa de reeleição da prefeitura paulistana ao obter apenas 16,70% contra 53,29% de João Dória. Um trapalhão. Sua vitória em 2012 contra José Serra foi graças ao prestígio de Lula.

ALCKMIN: A mídia (parceira do Planalto) tenta preservar o vice presidente. Mas ele não se sente à vontade. Perdeu o seu discurso de opositor ao PT (lembra?). Mesmo com um ministério sua imagem é opaca. Perdeu os velhos amigos e não é reconhecido pelos novos parceiros. Perdeu o ambiente até na sua Pindamonhangaba.

MEMÓRIA: A internet é depositária também da memória política. Tudo está ali: Fotografias, artigos, notícias, filmes e discursos. O currículo deste ou daquele homem público pode ser devassado para fins políticos. A propósito, os vídeos de Alckmin – com falas agressivas contra Lula principalmente, mostram a incoerência da política.

ESQUISITICE: Pesquisa publicada mostra que 41% do eleitorado se rotula como pertencente a chamada direita. Na outra ponta apenas 18% se identifica como integrantes da esquerda, enquanto 28% se diz do centro. Conclusão: um país de direita governada pela esquerda. Enfim, Lula é maior que a festiva esquerda tupiniquim.

MANCADA: Leite derramado não volta ao balde. Hoje, os deputados estaduais ao tratarem a delicada situação da previdência estadual lembram da mancada na criação do estado. Ficou expresso que caberia no MS arcar com os ônus previdenciários dos funcionários do MT uno. Na ânsia de poder, nossos líderes não atentaram para as consequências. Agora é tarde.

LABIRINTO: O nosso estado envelheceu desde sua criação. As pessoas vivendo mais. A comparação entre a massa que contribui e a quantidade de aposentados é inevitável, assusta. O Governo vem contornando a situação com medidas paliativas, mas vai chegar a hora em que a porca vai torcer o rabo. E qual seria a saída? Não sei.

DELCÍDIO: Assisti o seu filmete sobre sua pré-candidatura a prefeito de Corumbá. Corajoso, é bom de vídeo. Fala fácil, imagem agradável. Isso ajuda mas não decide. Seu partido, o PRD, com 4 meses de existência terá dificuldades de se inserir no tradicional contexto corumbaense, famoso pelas suas peculiaridades. Terra do pacu e do ‘matiti’.

ASTROLOGIA: Quais os efeitos em 2026 das eleições municipais? Eles dependerão basicamente das eleições de Campo Grande que costuma irradiar influência no cenário politico de todo estado. Uma coisa é certa e precisa ser repetida: quem perder aqui não terá grandes chances em 2026. Quem viver – verá!

FELIPE SAMPAIO: “...Porém, sejamos francos, se pudéssemos perguntar hoje ao genial Cazuza o que ele espera das próximas gestões municipais, era bem capaz de ele responder “Eu vejo o futuro repetir o passado”, porque continuamos fazendo as coisas do mesmo jeito...”. O artigo no Blog do Noblat serve para todas as cidades.

EQUILIBRISTA: Tem que ser equilibrista até o final. E suando muito, apertando o cabo da sombrinha aberta, com medo de cair, olhando a distância do arame ainda a percorrer – e sempre exibindo para o público um falso sorriso de serenidade. Tem que fazer isso todos os dias, para os outros, como se na vida você não tivesse feito outra coisa para você, como se fosse a primeira vez, e a mais perigosa. Do contrário, seu número será um fracasso. (Fernando Sabino)

PILULAS DIGITAIS:

Este País precisa de homens com testosterona. É isso que esse País precisa. (deputado Nikolas Ferreira – PL-MG)

Fofoca você deve espalhar logo, porque pode ser mentira. (Millôr)

Ler comentários na internet é inútil em tempos de delinquência moral. (Pondé)

Período difícil de se viver no Brasil (1500-2024). ( na internet)

Eu acho importante respeita a opinião dos outros. Eu sempre respeito quando a opinião dos outros bate com a minha. (Nelson Padrella)

Tecnocrata tem receita / Do socialismo de direita. (Millôr)

Em futebol, só uma coisa é certa: o torcedor esquece facilmente, como os índios e as crianças. (Nelson Rodrigues)

Se você acha que um destino amargo, pense no Haddad que precisa parar de ler pra falar com o Lira e o Pacheco. (na internet)

Patriotismo tem limite: Lira reajusta em 60% as diárias dos deputados em viagens. (na internet).

Por - Manoel Afonso