Publicado em 22/01/2026 às 16:00, Atualizado em 22/01/2026 às 16:51

Presidente do México é ameaçada e Copa do Mundo pode ter boicotes

Nesta semana, uma seleção campeã mundial ameaçou desistir do torneio; cenário político envolvendo Donald Trump cria atritos com europeus

Redação,
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Presidente do México- Foto Reprodução/X

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, passou a ser alvo de alertas e ameaças de mobilizações que podem impactar diretamente a Copa do Mundo de 2026, evento que o país vai sediar junto com Estados Unidos e Canadá. Organizações ligadas ao setor agrícola afirmam que protestos e até bloqueios de rodovias estão no radar caso o governo não promova mudanças na política agroalimentar.

O mais recente aviso partiu do Frente Nacional para o Resgate do Campo Mexicano, que cobra alterações em pontos do T-MEC (acordo comercial entre México, Estados Unidos e Canadá). Segundo o grupo, as regras atuais têm levado pequenos produtores rurais à falência, enquanto beneficiam grandes empresas e o agronegócio internacional.

Em entrevista ao site Infobae, o dirigente do movimento, Eraclio Rodríguez, afirmou que, se não houver resposta do governo, ações mais duras poderão ocorrer justamente durante o Mundial. Entre as possibilidades citadas estão bloqueios de estradas estratégicas, o que, na avaliação do grupo, inviabilizaria a realização do evento em algumas regiões.

“Se fizermos um boicote, não vamos prejudicar o povo. Vamos atingir os ricos que vêm para esses eventos. Tomamos as rodovias e acabou a Copa. Nem precisamos ir aos estádios”, declarou Rodríguez.

Segundo o líder do movimento, a intenção não é causar transtornos à população em geral, mas pressionar setores econômicos que, segundo ele, concentram os lucros de grandes eventos internacionais enquanto o campo mexicano enfrenta dificuldades para escoar a produção.

O Frente Nacional para o Resgate do Campo Mexicano também critica o alto custo dos ingressos do Mundial, que, de acordo com Rodríguez, deve excluir grande parte da população local. Para ele, a situação se torna ainda mais contraditória diante da realidade vivida por agricultores que lutam para vender suas colheitas a preços justos.

“Não vamos permitir que esses eventos aconteçam aqui enquanto estamos batalhando para vender nossos produtos, nossas colheitas, dentro de uma prática econômica injusta”, afirmou.

Até o momento, o governo de Claudia Sheinbaum não se pronunciou oficialmente sobre as ameaças de boicote. A possibilidade de protestos durante a Copa do Mundo acendeu um alerta entre autoridades, diante da dimensão do evento, do volume de investimentos envolvidos e da visibilidade internacional que o México terá em 2026.

A Copa do Mundo de 2026 poderá perder uma campeã mundial. A seleção da Alemanha, quatro vezes campeã do mundo, avalia desistir de disputar a competição, que acontecerá nesta edição nos Estados Unidos. A decisão é fundamentada com base nas falas e ameaças recentes do presidente estadunidense Donald Trump de anexar a Groelândia.

“Se Donald Trump cumprir suas ameaças sobre a Groenlândia e desencadear uma guerra comercial com a UE, me custa imaginar que países europeus participem da Copa do Mundo”, disse o deputado conservador Roderich Kiesewetter ao jornal Augsburger Allgemeine, avaliando as chances da Alemanha ficar de fora da Copa do Mundo.

A tensão aumentou com declarações do presidente estadunidense Donald Trump, ao demonstrar interesse em "assumir o controle" da Groenlândia como questão de segurança nacional.

Trump afirmou que “a Groenlândia está coberta de navios russos e chineses por toda parte” e que “precisamos da Groenlândia para a segurança nacional, e a Dinamarca não vai conseguir fazer isso”.

O líder estadunidense a questionar a legitimidade do controle dinamarquês e criticou a postura do país perante a OTAN, dizendo em rede social que “a Dinamarca não pode proteger essa terra da Rússia ou da China, e por que eles teriam um 'direito de propriedade' afinal?”.

Trump ainda citou a Doutrina Monroe, apelidando-a de "Doutrina Don-roe", e em mensagem ao primeiro-ministro da Noruega afirmou: “não me sinto mais obrigado a pensar apenas na paz, embora ela sempre seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos da América”.

De forma enfática, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, respondeu dizendo que o governo estadunidense “não tem direito de anexar” o território.