Publicado em 27/01/2026 às 16:03, Atualizado em 27/01/2026 às 17:29

Quando a Liberdade Aprendeu a Respirar

Por Adriana Paioli

Redação,
Cb image default
Divulgação

Ninguém percebeu quando a liberdade começou a adoecer.

Não foi de uma vez.

Foi aos poucos.

Em pequenos silêncios aceitos.

Em medos engolidos.

Em verdades que ficaram presas na garganta.

As pessoas continuavam andando pelas ruas, trabalhando, sorrindo em fotos…

mas dentro delas algo estava trancado.

Um cansaço sem nome.

Uma tristeza que não se explicava.

Uma saudade de si mesmas.

O mundo estava barulhento demais.

Opiniões gritavam, dedos apontavam, telas ditavam quem se deveria ser.

E quem ousava ser diferente aprendia a se esconder.

Foi nesse tempo que Helena aprendeu a respirar de novo.

Ela não era heroína.

Era apenas alguém cansada de sobreviver.

Cansada de pedir permissão para existir.

Cansada de ter fé só nos domingos e medo de segunda a sábado.

Um dia, sozinha no quarto, com o coração em ruínas, ela sussurrou:

— Deus… ainda sou livre?

E o silêncio respondeu.

Não com voz.

Mas com presença.

Naquela noite, Helena chorou como quem lava a alma.

E entre as lágrimas, algo se rompeu — não o coração, mas as correntes invisíveis.

Ela entendeu que a verdadeira prisão não era o mundo,

era o medo de ser quem Deus a criou para ser.

Liberdade não era ausência de dor.

Era a coragem de continuar mesmo com ela.

Era dizer “não” quando tudo exigia um “sim”.

Era amar a si mesma num mundo que lucra com a nossa insegurança.

No dia seguinte, o sol nasceu igual.

Mas Helena não.

Ela levantou diferente.

Com passos pequenos, mas firmes.

Com fé que não gritava — sustentava.

Ela começou a escolher o que entrava no coração.

A se afastar do que roubava a paz.

A cuidar da alma como quem cuida de um templo.

E, sem perceber, virou luz.

Não uma luz que ofusca,

mas aquela que aquece quem está congelando por dentro.

A liberdade voltou a respirar —

não porque o mundo mudou,

mas porque alguém decidiu não se perder dentro dele.

E talvez, só talvez,

a liberdade esteja esperando o mesmo de nós:

que a gente volte para casa.

Para dentro.

Para Deus.

Para si.